Manaus no topo da poluição mundial
Recentemente, a cidade de Manaus, capital do Amazonas, ficou em destaque por ser considerada a cidade com a pior qualidade do ar do mundo. De acordo com os dados obtidos pela plataforma IQAir, a metrópole alcançou um alarmante nível de poluição, superando a taxa de 324,1 µg/m³ de material particulado. Este índice é significativamente mais alto que o de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, que apresentava um índice de 172,6 µg/m³. Estes números mostram a gravidade da situação e a vulnerabilidade da população local, especialmente considerando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma média de no máximo 15 µg/m³ para a qualidade do ar a cada 24 horas.
O que causa a péssima qualidade do ar
A principal causa da degradação da qualidade do ar em Manaus está relacionada às queimadas indiscriminadas que ocorrem na região. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) registrou um alarmante total de 3.240 focos de calor entre os dias 1 e 23 de setembro de 2026, o que contribuiu para a densa fumaça que cobre a cidade. A queima de vegetação para a agricultura, pastagens e o desmatamento flamejante resultam em emissões tóxicas que afetam a qualidade do ar. Além disso, fatores climáticos como a falta de chuva na estação seca também intensificam o problema.
Queimadas e poluição em Manaus
O cenário de queimadas em Manaus se agrava, principalmente nas áreas leste e nordeste do estado. Em particular, as cidades de Autazes e Manacapuru estão entre as localidades mais afetadas, somando-se a municípios como Apuí, Lábrea e Manicoré. As queimadas não apenas liberam substâncias nocivas no ar, mas também provocam aumento das temperaturas, como observado em recentíssimos registros que indicaram 38,6°C na cidade. Essa elevação de temperatura, combinada com a poluição do ar, criou um ambiente insalubre, sobressaindo o alerta para a saúde da comunidade.

Efeitos da fumaça na saúde
A poluição do ar em Manaus está intimamente relacionada a uma série de problemas de saúde. A presença de fumaça no ar pode resultar em intensificação dos sintomas em pessoas com doenças respiratórias e cardíacas, como asma e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). O pneumologista Mário Sérgio Fonseca, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), explica que a exposição à fumaça pode causar falta de ar, tosse, desconforto respiratório e agravamento de condições preexistentes. Esse risco é particularmente elevado entre crianças, idosos e pessoas com comorbidades, que são os mais susceptíveis a complicações de saúde devido à poluição.
Impacto nas crianças e idosos
Crianças e idosos estão entre os grupos mais afetados pela poluição do ar. Especialistas apontam que a fumaça pode precipitar crises asmáticas em crianças vulneráveis, enquanto idosos com doenças cardíacas apresentam um risco elevado de agravamento dos sintomas. As informações de populações em áreas como o Parque das Tribos, que abriga cerca de 5 mil pessoas, revelam que a qualidade do ar impactou diretamente a saúde da comunidade. Moradores relatam episódios de mal-estar e complicações respiratórias, o que acende um alerta para a necessidade de ação imediata para proteger esses grupos.
Como a população está reagindo
A reação da população tem sido de preocupação e insatisfação face à inatividade das autoridades diante da crise. Moradores do Parque das Tribos relatam que o fogo se alastrou sem controle, e muitos expressam frustração pela falta de apoio do governo para enfrentar as queimadas. Líderes comunitários como Claudia Baré e Yassí Baré têm alertado para os perigos da fumaça e a falta de medidas efetivas para mitigar a situação, clamando por ação do poder público.
O papel das autoridades ambientais
A resposta das autoridades ambientais tem sido vista como insuficiente. Apesar do aumento dos focos de queimadas e dos altos índices de poluição do ar, ações de contenção não têm sido adequadamente implementadas. A Prefeitura de Manaus menciona ter programas de monitoramento e fiscalização, mas a eficácia dessas iniciativas é questionada. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) reportou um crescimento nos atendimentos relacionados a problemas respiratórios, mas o que se espera é uma resposta mais assertiva por parte do governo.
Registro de focos de queimadas
Dada a intensidade de queimadas que assolam a região, o mapeamento feito pelo INPE é crucial. Com um total de 5,7 mil focos de calor em 2026, os dados demonstram um aumento de 85% em relação ao ano anterior. O monitoramento e a análise da evolução das queimadas são fundamentais para a implementação de estratégias que possam barrar a expansão dessas práticas nocivas.
Recomendações para a população
Em meio a esse cenário, as autoridades de saúde recomendam que a população tome precauções rigorosas. É essencial evitar a exposição à fumaça, especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde. Óculos e máscaras que filterem partículas, como as N95, são recomendadas. Hidratar-se adequadamente e tentar permanecer em ambientes fechados também são práticas que podem ajudar a minimizar os riscos. Além disso, é importante estar atento aos sinais de desconforto respiratório e buscar atendimento médico se os sintomas aumentarem.
O futuro da qualidade do ar em Manaus
O futuro da qualidade do ar em Manaus é uma preocupação crescente. Sem ações efetivas por parte das autoridades para controlar as queimadas e reduzir a poluição, a situação pode se agravar ainda mais. A conscientização da população sobre os riscos da poluição e a participação ativa na luta por um ar mais limpo são passos fundamentais. A colaboração entre governo e comunidade é vital para inverter esse quadro, assim como a urgência na implementação de políticas de proteção ao meio ambiente e à saúde pública. Uma mudança nessa direção pode contribuir para a preservação da qualidade de vida em Manaus.


