{"id":3128,"date":"2019-01-08T15:12:48","date_gmt":"2019-01-08T18:12:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/?p=3128"},"modified":"2019-04-15T11:22:34","modified_gmt":"2019-04-15T14:22:34","slug":"cidade-flutuante-manaus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/cidade-flutuante-manaus\/","title":{"rendered":"Cidade Flutuante Manaus"},"content":{"rendered":"<div class=\"882fdd0d88065009358e99f1a9406c55\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:0px;\">\n<script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8585364105181520\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script>\r\n<!-- Anuncio display - global -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:block\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-8585364105181520\"\r\n     data-ad-slot=\"8789329856\"\r\n     data-ad-format=\"auto\"\r\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\r\n<script>\r\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>A \u201c<strong>Cidade Flutuant<\/strong>e\u201d existiu em Manaus entre os anos de 1920 e 1967, teve o seu inicio em decorr\u00eancia do decl\u00ednio do fausto da borracha, com a fal\u00eancia dos seringalistas, levou uma multid\u00e3o de seringueiros a ficarem sem eira nem beira, n\u00e3o tinha onde morar<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o foi iniciar a constru\u00e7\u00e3o de suas casas sobre as \u00e1guas do Rio Negro e pelos igarap\u00e9s de Manaus.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3130 size-full\" title=\"Cidade Flutuante Manaus\" src=\"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cidade-flutuante-manaus.jpg\" alt=\"Cidade Flutuante Manaus\" width=\"800\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cidade-flutuante-manaus.jpg 800w, https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cidade-flutuante-manaus-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cidade-flutuante-manaus-768x461.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>As casas eram de madeiras, constru\u00eddas sobre troncos de \u00e1rvores, tornando-as flutuantes, a cobertura era palha e zincos, formavam um imenso conglomerado de casas, era t\u00e3o grande que chegou a ser uma \u201ccidade\u201d dentro da cidade de Manaus, chegando na d\u00e9cada de 60 com mais de 2.000 casas e aproximadamente 12.000 habitantes.<\/p>\n<p>Segundo relatos, no local existia al\u00e9m de moradias, todo tipo de comercio: estivas, ferragens, restaurantes, gabinetes de dentistas, consult\u00f3rios m\u00e9dicos, drogarias, oficinas mec\u00e2nicas de consertos de motores mar\u00edtimos, venda de borrachas, castanhas, jutas, couros e peles de animais, tinha \u201cde tudo\u201d, qualquer atividade que tinha em terra, tamb\u00e9m tinha na cidade flutuante!<\/p>\n<p>Dizem que alguns moradores da \u201ccidade\u201d fizeram riqueza no local, citam as fam\u00edlias \u201cPara\u00edba\u201d, \u201cCordeiro\u201d, \u201cNobre\u201d e \u201cAssayag\u201d<\/p>\n<p>A maior parte se concentrava bem em frente da Igreja dos Rem\u00e9dios, em torno de 850 casas, muitas ficavam at\u00e9 150 metros da margem do rio.<\/p>\n<p>Posso falar de cadeira, pois nasci e me criei dentro de um flutuante no Igarap\u00e9 de Manaus. O meu saudoso pai Rochinha, era um artes\u00e3o, fabricava e consertava instrumentos de cordas, o nosso flutuante era enorme, servia de moradia e oficina, com tempo, o papai instalou luz el\u00e9trica e \u00e1gua encanada. Ele comprou um \u201cmotor de centro\u201d, adaptado para serrar madeiras, fez a montagem de dois cambur\u00f5es de \u00e1gua, para fazer a refrigera\u00e7\u00e3o. Com o desmonte dos flutuantes, ele foi um dos primeiros a sair do local, vendeu o motor e comprou um terreno na Vila Para\u00edso, onde vivei com a nossa fam\u00edlia at\u00e9 a sua morte.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de sessenta, come\u00e7ou a ventilar a requisi\u00e7\u00e3o de verbas federais para a constru\u00e7\u00e3o de casas populares, destinadas a fam\u00edlias residentes em flutuantes. Muitos receberem terrenos no bairro de S\u00e3o Jorge, a nossa fam\u00edlia foi contemplada, porem, o meu pai n\u00e3o aceitou, pois achava o lugar \u201cmuito longe\u201d e \u201cno meio do mato\u201d.<\/p>\n<p>A Cidade Flutuante desapareceu por completo em 1967, ficou apenas na mem\u00f3ria. Ela serviu de inspira\u00e7\u00e3o para muitos autores, al\u00e9m de servir de cen\u00e1rio para muitos filmes e documentarios.<\/p>\n<h2>Cidade Flutuante Manaus Hist\u00f3ria<\/h2>\n<p>O <em>fim do monop\u00f3lio da borracha<\/em>, a crise econ\u00f4mica dos anos vinte do <em>s\u00e9culo passado<\/em>, o crescimento demogr\u00e1fico em raz\u00e3o da corrente migrat\u00f3ria de ribeirinhos e nordestinos para Manaus e a escassez de recursos contribu\u00edram, inapelavelmente, para a crise de falta de moradia em Manaus. Nesse <em>cen\u00e1rio adverso, em 1920<\/em>, Jo\u00e3o Apr\u00edgio, natural da Para\u00edba, com mulher e filhos para sustentar, passava por enormes dificuldades. O que ele ganhava mal dava para a alimenta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. Sem casa pr\u00f3pria, Apr\u00edgio juntou dois troncos de a\u00e7acu de um igap\u00f3 e os rebocou, na popa de sua canoa, at\u00e9 o litoral do Educandos, local que entendeu como o mais apropriado para construir a sua morada. Por vinte dias e vinte noites ele trabalhou, at\u00e9 edificar aquela que seria a primeira casa flutuante de Manaus.<\/p>\n<p>Com o crescente aumento populacional e a previs\u00edvel car\u00eancia de moradias, em pouco tempo proliferaram resid\u00eancias e estabelecimentos comerciais ao seu redor. Assim<em> surgia a cidade flutuante de Manaus<\/em>, resultado da aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para as popula\u00e7\u00f5es carentes e investimentos destinados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de casas populares. Dessa forma, pa\u00edses como o Brasil, desde anos idos, v\u00eam a deteriora\u00e7\u00e3o urban\u00edstica das suas cidades.<\/p>\n<p>O professor Samuel Benchimol, no pref\u00e1cio do livro Aspectos Econ\u00f4micos e Sociais da Cidade Flutuante, editado em 1964, de autoria de Celso Luiz Rocha Serra e Wilson Rodrigues da Cruz, assim definiu: \u201cSem a devida prepara\u00e7\u00e3o para fazer face \u00e0 compet\u00eancia urbana e n\u00e3o encontrando condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de participa\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica, essas popula\u00e7\u00f5es tendem rapidamente a marginalizar-se nos grandes centros urbanos. O aparecimento das estancias, corti\u00e7os, favelas e mocambos constituem express\u00f5es dessa luta pela conquista, a qualquer custo, do teto e do emprego.<\/p>\n<p>Em Manaus este problema adquiriu cor local revelando esfor\u00e7o de adapta\u00e7\u00e3o do homem ribeirinho \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do meio ambiente. A <em>cidade flutuante que resultou dessa adapta\u00e7\u00e3o ao regime das \u00e1guas do rio<\/em>, sujeito a enchente e vazante, possui express\u00e3o ecol\u00f3gica e econ\u00f4mica. Ela representa uma forma de sobreviv\u00eancia do homem em busca de localiza\u00e7\u00e3o mais barata e mais acess\u00edvel que lhe proporcione ao mesmo tempo moradia e sustento.<\/p>\n<p>A <em>cidade flutuante nasceu e cresceu enquanto os administradores dormiam para serem despertados vinte anos depois pela curiosidade dos turistas e pelas reportagens das grandes revistas nacionais que passaram a explorar o in\u00e9dito e o pitoresco<\/em>. Deste modo ela adquiriu a notoriedade internacional, partilhando da fama do Teatro Amazonas como s\u00edmbolos de duas eras que se distanciam no tempo, mas que se confundem nas ruas ra\u00edzes e origens\u201d.<\/p>\n<p>A <span style=\"text-decoration: underline;\">cidade flutuante em sua vers\u00e3o primitiva<\/span>, era um aglomerado de casas de madeira cobertas de palha do bu\u00e7u, fibra leve e resistente \u2013 posteriormente a maioria das coberturas das casas foram substitu\u00eddas por folhas de zinco. Essa cobertura era sustentada por caibros de andiroba, madeira muito usada pelos ribeirinhos, provavelmente escolhida em decorr\u00eancia do seu forte odor, capaz de repelir os inconvenientes carapan\u00e3s. A acariquara, madeira pesada, era usada para a constru\u00e7\u00e3o de parapeitos e varandas. O louro vermelho, destinado ao assoalho e paredes laterais.<\/p>\n<p>Toda a estrutura da casa, composta de cobertura, paredes, piso e varanda era posta sobre toras de madeira assentadas sobre \u201cboias\u201d de a\u00e7acu. O peso fazia com que as \u201cboias\u201d afundassem por aproximados 1 metro, deixando a casa a mais ou menos 50 cent\u00edmetros da \u00e1gua. Essas \u201cboias\u201d (toros de a\u00e7acu) garantiam a seguran\u00e7a, a funcionalidade e a condi\u00e7\u00e3o flutuante da casa.<\/p>\n<p>As ruas da cidade flutuante eram feitas com t\u00e1buas de sumaumeiras enormes e grossas, as larguras variavam entre mais ou menos 50 cent\u00edmetros \u2013 conforme Serra e Cruz. Segundo Matias Martinho Lenz, em \u201cOs Flutuantes de Manaus\u201d (Revista da CODEAMA \u2013 Estudos Espec\u00edficos), uma t\u00e1bua com pouco mais de 2 metros de cumprimento era suficiente para come\u00e7ar a interligar os flutuantes. Quando o rio enchia a cidade subia atingindo o mesmo n\u00edvel de Manaus, quando vazava, ela descia. Era o rio quem marcava o n\u00edvel e o ritmo da cidade.<\/p>\n<p>Havia tudo o que uma cidade necessita para sua exist\u00eancia: farm\u00e1cia, boate, roupas, sapatos, com\u00e9rcio de tudo o que o rio lhe dava. Era comum v\u00ea-se a salga de mantas de pirarucu, ensaque de castanhas, venda de quinquilharias, marca\u00e7\u00e3o de peles. A <em>cidade desempenhava a fun\u00e7\u00e3o de entreposto de grandes casas exportadoras de couros de jacar\u00e9, borracha, sorva, balata, pirarucu, peles de on\u00e7a, cobra, ouro e contrabando<\/em>. Abrigava, ainda, bandidos e malandros e tinha at\u00e9 estradas flutuantes com cobran\u00e7as de ped\u00e1gio por exploradores e sabidos.<\/p>\n<p>As habita\u00e7\u00f5es flutuantes n\u00e3o apresentavam as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de conforto e higiene aos seus usu\u00e1rios e constitu\u00edam um grave problema de ordem social. Na excelente tese de mestrado de Leno Jos\u00e9 Barata Souza, intitulada \u201cCIDADE FLUTUANTE\u201d <span style=\"text-decoration: underline;\">Uma Manaus Sobre As \u00c1guas (1920-1967)<\/span>, registra que havia casas \u201ce estancias flutuantes de v\u00e1rios c\u00f4modos onde se alugavam quartos para mulheres, prost\u00edbulos de mais ou menos 6 m\u00b2\u201d. Informa-nos ainda que \u201cat\u00e9 o in\u00edcio de 1940, a malha urbana da capital n\u00e3o tinha sofrido transforma\u00e7\u00f5es impactantes. Manaus, al\u00e9m do seu Centro, tinha o Educandos e Cachoeirinha a leste, Moc\u00f3\/Vila Municipal ao Norte e a oeste destacava-se o bairro de S\u00e3o Raimundo.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Nos anos seguintes, no entanto, aconteceria o que Samuel Benchimol chamou de \u201c\u2026 o come\u00e7o da explos\u00e3o urbana na Amaz\u00f4nia\u201d.<\/span><\/p>\n<p>A press\u00e3o de novas necessidades sociais, propiciadas pelas imigra\u00e7\u00f5es dos anos quarenta, fez-se sentir em todos os limites da capital estendidos sobre os terrenos de florestas ao norte, ampliando antigos sub\u00farbios e criando outros; seguindo os cursos fluviais dos terrenos marginais na forma de palafitas, tapiris e, sobre as \u00e1guas, com moradias flutuantes\u201d.<\/p>\n<p>Poetizando com a trag\u00e9dia, a revista O Cruzeiro dizia que \u201ca noite o rio se enchia de anz\u00f3is atirados das janelas dos casebres, na busca do alimento para o dia seguinte. Do rio se banhavam, comiam e viviam\u201d. Na verdade n\u00e3o pescavam uma sardinha sequer, do p\u00e3o ao peixe compravam dos botes que os vendiam. O alimento di\u00e1rio era farinha d\u2019\u00e1gua e peixe, carne era artigo de luxo. As casas eram acanhadas e o ambiente insalubre, anti-higi\u00eanico e promiscuo. Mas o vi\u00e9s abordado nas revistas era outro: \u201cA cidade flutuante de Manaus \u00e9 uma esp\u00e9cie de Veneza selvagem e tropical\u2026\u201d (Revista \u201cManchete); a \u201cFavela Veneziana\u201d ou \u201cVeneza brasileira\u201d (Revista O Cruzeiro); ou ainda a \u201cpetit Venezia\u201d (Revista su\u00ed\u00e7a \u201cAmazonie\u201d). Entretanto a realidade era bem diferente, a cidade flutuante, afirma Souza, \u201cera vista como expoente m\u00e1ximo de desorganiza\u00e7\u00e3o urbana e promiscuidade social e sanit\u00e1ria, segundo a fala de C\u00e9sar Oiticica, um desses profissionais: A urbaniza\u00e7\u00e3o do caboclo \u00e9 a sua trag\u00e9dia, trag\u00e9dia esta que se reflete, principalmente, em sua habita\u00e7\u00e3o (\u2026) Estes agrupamentos tiveram seu ponto culminante na j\u00e1 famosa cidade flutuante do porto de Manaus. As condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias precar\u00edssimas e a promiscuidade geram toda sorte de cont\u00e1gios e o caboclo desfigura-se f\u00edsica e psiquicamente\u201d.<\/p>\n<p>A prolifera\u00e7\u00e3o da cidade flutuante, conforme Serra e Cruz, se estendia em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1guas dos igarap\u00e9s Manaus, Quarenta e Cachoeirinha, atingindo propor\u00e7\u00f5es gigantescas. <em>Em 1960<\/em>, conforme o anu\u00e1rio do Servi\u00e7o Nacional de <em>recenseamento de 1963<\/em>, Manaus contava com uma popula\u00e7\u00e3o de 175.343 habitantes. Os nordestinos que aqui chegavam fugidos da seca e que deveriam se estabelecer no meio rural, optavam por ser \u201cmarreteiros\u201d (camel\u00f4s), vendedores ambulantes de bugigangas. Naquele ano a cidade flutuante tinha a seguinte distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica: cidade flutuante 881 (em frente \u00e0 escadaria dos rem\u00e9dios), igarap\u00e9 do S\u00e3o Raimundo 246, Igarap\u00e9 de S\u00e3o Vicente 104 e Educandos (Igarap\u00e9 de Manaus, Bitencourt, Mestre Chico, Cachoeirinha e Litoral dos Educandos) 914. Totalizando 2.145 casas flutuantes.<\/p>\n<p>Souza relata que \u201cnos <em>primeiros anos da d\u00e9cada de mil novecentos e sessenta,<\/em> as incr\u00edveis dimens\u00f5es territoriais e demogr\u00e1ficas dos flutuantes de Manaus os transforma em um fen\u00f4meno urbano e uma problem\u00e1tica social para as autoridades, em que o t\u00edtulo: \u201ccidade flutuante\u201d, constru\u00eddo ao longo deste momento, \u00e9 o \u00edndice hist\u00f3rico mais emblem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Diante desta nova realidade, alguns levantamentos oficiais come\u00e7aram a ser feitos sobre a \u201ccidade flutuante\u201d, visando melhor conhecer o \u201cproblema\u201d para, em seguida, dar conta de sua \u201cresolu\u00e7\u00e3o\u201d materializada <span style=\"text-decoration: underline;\">na sua completa destrui\u00e7\u00e3o em 1967<\/span>\u201d.<\/p>\n<p>Eram portanto quase 12.000 moradores, uma popula\u00e7\u00e3o que superava a maioria dos bairros de Manaus e at\u00e9 de munic\u00edpios do Amazonas. Isso para os pol\u00edticos representava um reduto eleitoral nada desprez\u00edvel. Conforme dito pelo professor Samuel Benchimol, \u201cas grandes revistas nacionais passaram a explorar o in\u00e9dito e o pitoresco\u201d e a cidade flutuante ganhou \u201cnotoriedade que provocava arrepios nas autoridades oficiais e pesadas cr\u00edticas em uma historiografia tradicional; para esta, Manaus deveria ser recuperada pela sua requintada e civilizada arquitetura art noveua da \u201cManaus da borracha\u201d, cujo maior s\u00edmbolo \u00e9 o Teatro Amazonas, e pelo \u201cNovo Amazonas\u201d, propaganda de governo de Arthur Reis, cujo carro chefe era a Zona Franca, s\u00edmbolo de progresso e futuro\u201d assina Souza.<\/p>\n<p>Registre-se que nos grandes flutuantes comerciais no centro da cidade flutuante havia luz el\u00e9trica, esta obtida atrav\u00e9s de geradores. Algumas casas a obtinha por meio de \u201cgatos\u201d puxados a partir de algum com\u00e9rcio em terra firme.<\/p>\n<p>Por ser a porta de entrada de Manaus, n\u00e3o havia hip\u00f3tese de corre\u00e7\u00e3o, s\u00f3 havia uma coisa a ser feita: acabar com a cidade flutuante, um peda\u00e7o da cidade atirada sob as \u00e1guas do Rio Negro que se constitu\u00eda em chaga. Um m\u00eas ap\u00f3s a posse de Arthur Cezar Ferreira Reis, a Capitania dos Portos proibiu a instala\u00e7\u00e3o de novos flutuantes nas \u00e1guas de Manaus e p\u00f4s uma lancha para fiscalizar e impedir a constru\u00e7\u00e3o de novas casas flutuantes, ainda assim, \u201cem sete meses (agosto de 64 a abril de 65) foram constru\u00eddos quase 400 flutuantes pelo litoral de Manaus\u201d (Souza).<\/p>\n<p>Em 1967, o governador Reis (1964 e 1967), sob forte press\u00e3o do Comando Militar da Amaz\u00f4nia e da Capitania do Portos, respaldados pelo governo militar, desarticulou a cidade flutuante, transferindo seus moradores para diversos bairros, dentre eles destacamos Alvorada, Coroado, Conjunto Costa e Silva e Santo Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p>Com o crescimento da Zona Franca, durante o governo Henock Reis (75\/79), houve uma amea\u00e7a de ressurgimento da cidade flutuante \u2013 em frente \u00e0 escadaria dos rem\u00e9dios \u2013 dessa vez ainda mais desastrosa, quando ambulantes, vendas de guloseimas, servi\u00e7o de carga, frotas de catraias com hansenianos vendendo refresco e p\u00e3o doce, prostitui\u00e7\u00e3o, droga e contrabando come\u00e7aram a se alastrar. Em 1980 o prefeito Jos\u00e9 Fernades transferiu essa popula\u00e7\u00e3o de vendedores para a praia da Panair, hoje Feira da Panair.<\/p>\n<p>No ano de 2000, a revista Amazonas 21 noticiava: \u201cHoje, passados mais de 35 anos, Manaus novamente experimenta um quadro que come\u00e7a a guardar paralelos com a extinta cidade sobre toras (\u2026) As casas ribeirinhas, elevadas ou flutuantes, verdadeiras habita\u00e7\u00f5es subumanas, depois de dominarem os nascentes interiores dos c\u00f3rregos, provocando todo tipo de assoreamento, voltam a se alastrar pela frente da cidade. Logo, se n\u00e3o houver uma provid\u00eancia urgente do poder p\u00fablico municipal, teremos de volta o cancro urbano que em boa hora foi extirpado\u201d. No mesmo ano o jornal A Cr\u00edtica estampou a seguinte manchete: \u201cA Volta da Cidade Flutuante\u201d. Essa nova tentativa estava ocorrendo \u201cem frente de uma das curvas da nova e ampla Avenida Louren\u00e7o da Silva Braga, bra\u00e7o vi\u00e1rio do projeto da \u201cManaus Moderna\u201d; o pr\u00f3prio pared\u00e3o que a avenida faz com o rio Negro estava sendo usado pelos moradores como apoio e ancoradouro das casas\u2026\u201d.<\/p>\n<h3>Cidade Flutuante Manaus Fotos<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3233 size-full\" title=\"Cidade Flutuante Manaus Fotos\" src=\"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cidade-flutuante-manaus-fotos.jpg\" alt=\"Cidade Flutuante Manaus Fotos\" width=\"751\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cidade-flutuante-manaus-fotos.jpg 751w, https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cidade-flutuante-manaus-fotos-300x184.jpg 300w, https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cidade-flutuante-manaus-fotos-223x137.jpg 223w\" sizes=\"auto, (max-width: 751px) 100vw, 751px\" \/><\/p>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u201cCidade Flutuante\u201d existiu em Manaus entre os anos de 1920 e 1967, teve o seu inicio em decorr\u00eancia do decl\u00ednio do fausto da borracha, com a fal\u00eancia dos seringalistas, levou uma multid\u00e3o de seringueiros a ficarem sem eira nem beira, n\u00e3o tinha onde morar A solu\u00e7\u00e3o foi iniciar a constru\u00e7\u00e3o de suas casas sobre as \u00e1guas do Rio Negro e pelos igarap\u00e9s de Manaus. As casas eram de madeiras, constru\u00eddas sobre troncos de \u00e1rvores, tornando-as flutuantes, a cobertura era palha e zincos, formavam um imenso conglomerado de casas, era t\u00e3o grande que chegou a ser uma \u201ccidade\u201d dentro da <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3130,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-3128","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lugares-em-manaus","has_thumb"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3128"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3128\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3235,"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3128\/revisions\/3235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3130"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.encontramanausam.com.br\/sobre\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}